Blog Esalqueanos

Autoconhecimento de uma Maratona

17/12/2018 - Por geide antonio figueiredo junior
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Faz um certo tempo que não escrevo um artigo, mas dessa vez trago um assunto interessante. Espero que goste e tenha uma boa leitura…

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Sou um Maratonista! 42Km correndo não é para qualquer um. Foi a 1.a vez que corri essa longa e desafiadora distância (e um sub 4hrs de resultado, nada mal!). Nossa 1.a vez a gente nunca esquece (dia 11 de novembro de 2018 na 1.a Maratona da Praia Grande-SP, Brasil). Eu sempre li diversos depoimentos de maratonistas de primeira vez. Nesse artigo darei o meu depoimento e prometo ser o menos clichê possível. Especialmente no quesito de lições aprendidas que tem tudo a ver com a vida profissional. Eu dividi em duas seções. Uma é um resumo e a segunda é o “textão” (se você tiver paciência de ler, eu conto meu desafio com mais detalhes). O maior objetivo desse artigo é de inspirar pessoas a praticarem algum esporte e/ou fazerem a diferença em seu ambiente de trabalho. Além disso, para você se desafiar a ir além de seus limites.

 

A seguir, uma analogia a ser feita com o mundo corporativo:

1.     Planejamento:

Em qualquer atividade, processo, projeto, planejamento é tudo. Seguir o planejamento é chave. Nós sabemos que às vezes ajustes finos são necessários. Ter tudo muito bem planejado nos faz mais confiantes para superar quaisquer dificuldades, caso elas venham a ocorrer.

 

2.     Praticar (treinamento):

Quanto mais se treina / pratica, melhor você fica. Disciplina, concentração (curto prazo) e foco (longo prazo) são os direcionadores. A regra 70/20/10 Aprendizado, Desenvolvimento e Ensinar: 70% com experiência fazendo na prática, mão na massa e também quando se ensina os outros suas próprias experiências (trocas e compartilhamentos de dicas e experiências com amigos maratonistas…); 20% mentoria e coaching (BodyTri - assessoria esportiva de triátlon - http://bodytri.com.br/); 10% aprender na sala de aula, cursos / estudando e lendo (livro: ‘Beyond Training: Mastering Endurance, Health & Live from Ben Greenfield‘- https://g.co/kgs/ASvXdp) - agradeço ao triatleta Fabio Sgarbi, colega acadêmico da Esalq que já foi várias vezes finisher em provas do Ironman, quem me sugeriu esse título.

 

3.     Sucesso está nos pequenos detalhes:

Detalhes são extremamente importantes. Eles fazem a diferença no final do dia. Não estou dizendo que buscar a Perfeição é tudo. Porém, cada pequeno detalhe fez a diferença em minha experiência. Perfeito é inimigo do Bom. Entregar uma meta no prazo com seu melhor esforço é suficiente. Esse é um interessante trade-off no mercado de trabalho também. Eu sou particularmente um cara do tipo perfeccionista (número 1 do Eneagrama) e sofro muito quando as coisas não saem perfeitas em minha opinião. Há que se buscar um equilíbrio!

 

4.     Trabalho em Equipe:

Apesar de a Maratona ser um esporte individual, você acaba dizendo ou gritando mensagens positivas para corredores desconhecidos, como: “não desista”; “siga em frente”; “você consegue”; “Força!”… e, acreditem em mim, essas mensagens fazem a diferença. Isso é o que eu chamo de trabalho em equipe, incentivar, suportar, estimular, ensinar, agradecer, aprender e ajudar aos colegas atingirem uma meta pessoal ou comum: enviar um relatório, entregar um projeto, ou seja, ‘cruzar a linha de chegada’. Escuta-los em algo no qual podemos melhorar (ser um bom escutador), também relacionado a comportamento (aceitar feedbacks e refletir sobre eles é importante para nosso desenvolvimento pessoal e profissional). Ajudar um colega de trabalho a se desenvolver é uma benção!

 

5.     Desafie a si mesmo:

Mesmo tendo treinado duramente por 3 meses, previamente a prova, eu sabia que seria ‘O’ desafio para mim. Fazendo coisas diferentes no trabalho, para melhorar a qualidade e impulsionar a produtividade, terminando tarefas em menos tempo, significam a mesma coisa. Nós sempre podemos performar melhor do que antes, essa é uma atitude que pertence e só depende de nós mesmos. O quão logo isso se torna um hábito, você passa a fazer isso com excelência! No quilômetro 18 da prova, tudo no meu corpo implorava para eu abandonar. Eu segui dizendo para mim mesmo, ‘Eu consigo!’, ‘Continue firme!’, ‘Desistir não é uma opção!’; pensar positivamente foi crucial. Nós temos que agir como a água, moldando nós mesmos de acordo com o ambiente, e isso não tem tudo a ver com resiliência? Se seu líder (chefe) te pede algo e num primeiro momento você não faz ideia de como começar, abrace esse desafio e o faça acontecer! Não é fora da zona de conforto que as melhores coisas acontecem???

 

Um agradecimento especial à minha família (filha e esposa) por ter estado várias horas fora de casa treinando duro, ao meu coach e amigo Ronaldo Silva, aos meus amigos corredores que me deram preciosas dicas e me enviaram mensagens inspiradoras (isso me fez sentir ainda mais confiante e muito grato). Mais, por seguir a experiência de muitos no esporte também me inspirou bastante.

 

Eu te encorajo a tentar, mesmo que uma distância curta, caminhar, nadar, correr ou pedalar. Ou qualquer outro esporte ou atividade que você goste, apenas se exercite! Sim, você pode!

 

Obrigado,

C/juntivit F99

Geide A. Figueiredo Jr. (Ex Morador da Republica Fazendinha)

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Agora o ‘textão’ do dia da experiência na minha 1.a Maratona:

Dia da prova: quase não dormi, estava muito ansioso e preocupado ao mesmo tempo. Comi o de sempre no café da manhã (2 ovos mexidos, 1 banana amassada com aveia, 1 xícara de café com leite). Eu verifiquei umas 3 vezes tudo o que tinha que levar (detalhes): 6 géis, 4 garrafinhas de água do cinto, tênis, meia, Garmin, camisetas de manga longa e curta, boné (eu sempre uso esse mesmo boné da sorte nos últimos 10 anos…kkkkk), protetor solar, suplementos pré e pós corrida entre outros. Tudo previamente testado nos treinos longos (o maior que fiz foi de 32Km). Cheguei no local da prova 1hr antes da largada (que foi as 7am), assim pude fazer tudo com calma, parar o carro e tentar amenizar a ansiedade... ou não! kkkk

A corrida começou, eu cuidei para que nos primeiros 10 minutos eu estabilizasse minha respiração. Tive que segurar um pouco o pace no Km 10, pois estava puxando muito, a 5:10-20’/Km, muito rápido, tive que reduzir para salvar energia para o mais tarde. A cada 6Km eu tomei um gel e água. O momento mais difícil aconteceu antes do esperado, dor na panturrilha direita. No quilômetro 18 da prova, tudo no meu corpo implorava para eu abandonar, dores na panturrilha, coxa esquerda e nas costas. Eu segui dizendo para mim mesmo, ‘Eu consigo!’, ‘Continue firme!’, ‘Desistir não é uma opção!’; pensar positivamente foi crucial. Antes da metade da prova eu vi um corredor parando por fadiga, o calor já aumentava consideravelmente e ele estava para tomar um gel que um outro corredor deu a ele. O próximo ponto de hidratação estava longe ainda. Segui à risca meu planejamento para não passar por isso. No último ponto de hidratação que passei, antes de encontrar esse corredor, me deram um copo de água e eu peguei, mesmo não precisando naquele momento e segui correndo e segurando aquele copo. Eu não entendi porque havia feito aquilo. Depois eu entendi o porquê de ter pego aquele copo de água, era simplesmente para ajudar aquele corredor naquele momento. Quando o entreguei eu disso: ‘Hey campeão, você precisará disso para engolir esse gel!’… ele simplesmente não sabia como me agradecer por aquilo. Nada acontece por acaso! E digo que por isso não se trata de um esporte individual… O retorno no Km 21 chegou, parei por alguns segundos para tomar água e um isotônico. Sorte a nossa de que na 1.a metade da corrida o clima ainda estava parcialmente nublado, apesar do calor. Aí o mormaço foi cruel na 2.a metade da prova com momentos de sol, que literalmente nos fritou, muito mais desafiador do que eu pude um dia imaginar (me lembrou sair pra correr no Long Distance de Pirassuninga em novembro de 2016). Alguns pontos de hidratação foram removidos e os que ainda estavam ativos a água não estava gelada o suficiente. A areia estava dura, limpa e firme, como se estivéssemos correndo na rua, graças à maré que estava baixa e, essa foi outra grande sorte nossa. Se a maré tivesse alta só nos sobraria areia fofa para correr… isso facilmente dobraria o esforço.

Uma coisa que eu sabia, mas tive que cuidar, eram os inúmeros córregos que tínhamos que pular ou desviar. Eu não queria molhar meu tênis de jeito nenhum, pois correr até o final com os pés molhados seria um pesadelo. Alguns desses córregos tive que pular (isso poderia estimular o início de câimbra) ou tive que desviar, saindo um pouco do trajeto.

Quanto mais eu reduzia o pace, mais dor eu sentia. A solução foi aumentar o pace e administrar as dores. Tentei duramente manter meu pace entre 5:30-45min/Km. Eu uso uma dica de contar progressivamente os Kms até a metade da prova e depois da metade, contar regressivamente. Pelo menos psicologicamente funciona. Passando momentos muito difíceis por causa das dores, tive que superar meus limites. Alguns amigos corredores me disseram que esse momento chegaria e que eu seria capaz de seguir em frente. Isso é o que chamo de autoconhecimento! A chance de eu fazer a prova no sub 4hrs ainda era possível. Eu fiquei firme! Mas, tenho que confessar que foi fod…!

O tão psicologicamente temido Km 30 chegou e eu passei nele com o pace de 5:33min., nada mal! O 2.o ponto psicológico, Km 35, eu comecei a sentir o quão dura é uma Maratona e o mormaço àquela altura já parecia estamos no inferno. Eu tomei pelo menos um copo d’água em cada um dos pontos de hidratação remanescentes e isotônico também. A partir do Km 38 o princípio uma câimbra me fez reduzir o pace. Eu tinha que manter as coisas sob controle. Uma câimbra naquele momento simplesmente me faria caminhar até o final. Eu segui fazendo conta e olhando no Garmin se ainda seria possível fazer um sub4.

Comecei a passar por muitos corredores que estavam caminhando. Eles tinham câimbras o que os impossibilitava de voltar a correr, muito provavelmente por desidratação e cansaço. Eu passava por eles e dizia ou gritava palavras positivas e de estímulos como: “não pare agora!”; “siga em frente!”; “você consegue!”; “falta pouco!”; “não desista!”...

Os últimos 2-3Kms meu pace subiu para mais de 6:00min./Km, fiquei preocupado com as câimbras que poderiam chegar e fazer eu caminhar. Cheguei a estar a 6:20min/Km, faltando 1 Km, mas ainda com chance de um sub4. Na verdade, meu objetivo número 1 era o de simplesmente completar a prova sem ter que caminhar, independentemente do tempo que levaria...

Outros atletas que já haviam terminado as distâncias menores (5K, 10K ou 21K) do evento, estavam próximos ao pórtico torcendo para nós na chegada da maratona… Isso foi incrível!

Definitivamente, minha mente me levou até o final da minha 1.a maratona e ainda num tempo fantástico. Cruzar a linha de chegada foi sensacional e emocionante ao mesmo tempo, uma mistura de sentimentos... Que experiência, fiquei dias ainda refletindo sobre esse feito. Agora, qual será meu próximo desafio? A resposta é: um full Ironman!

 

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