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Brasil - País dos salvadores da pátria

27/04/2020 - Por francisco beduschi neto
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Numa análise rápida, desde a volta das eleições diretas para presidente o Brasil sempre esteve em busca de um salvador da pátria: Collor - Caçador de marajás; FHC - pai do Plano Real; Lula - o escolhido do povo; Bolsonaro - para acabar com a corrupção.


Collor foi eleito em 1.990 como apoio popular para caçar os marajás, políticos privilegiados que se aproveitavam do estado, combater a inflação e a corrupção, e defender os "descamisados". Passados dois anos e meio do início do seu governo sofreu impeachment por montar um esquema de corrupção e compra de apoio e votos no Congresso Nacional. Assume então Itamar Franco que, após algumas tentativas sem sucesso chama Fernando Henrique Cardoso para o Ministério da Fazenda. FHC monta uma excelente equipe que renegocia a dívida externa e cria o Plano Real com uma nova moeda para o Brasil prometendo estabilidade inflacionária e crescimento econômico.


Na esteira do Plano, que começava a dar sinais que ia dar certo, FHC sai candidato a presidente e é eleito em 1994 com amplo apoio popular para dar seguimento ao desenvolvimento econômico do Brasil. Começa então um processo de privatização das empresas estatais telecomunicação, siderúrgicas e de telefonia, entre outras, para aliviar o Estado de empresas ineficientes e deficitárias. No entanto, o dinheiro é usado em novo esquema para conseguir apoio do Congresso e aprovar medidas proposta pela Governo, como a possibilidade de reeleição no executivo. Reeleito faz um segundo mandato pífio e não consegue eleger seu sucessor.


Então em 2.002 Brasil elege Lula, o sindicalista pai dos pobres, aquele que iria levar os benefícios do crescimento econômico a todos os brasileiros e acabaria com a fome do Brasil. No primeiro mandato ele "surfa" a onda do crescimento econômico mundial e da estabilidade da moeda brasileira. Para obter o apoio do Congresso, aprovar as medidas que queria tomar e iniciar seus projetos ele "profissionaliza" o esquema de corrupção que já existia envolvendo grandes somas de dinheiro. Utilizando uma expressão que o próprio ex-presidente gostava, "nunca antes na história do Brasil" vimos tamanho volume de desvios de recursos públicos envolvendo estatais como a Petrobras e o BNDES. No segundo mandato, para enfrentar a crise que iniciou com a bolha imobiliária nos EUA, amplia os programas de redistribuição de renda, o que garante a eleição de sua sucessora, Dilma Rousseff em 2.010. Dilma faz um primeiro mandato inócuo apoiada na popularidade de Lula, a quem sempre chamou de presidente, nunca de ex-presidente. Maquiando os resultados econômicos do país consegue se reeleger, mas o mundo já mostrava sinais de redução da atividade econômica. Ao mesmo tempo as investigações da Operação Lava-a-Jato começam a dar resultados e a chegar naqueles que comandavam o esquema. Políticos do alto escalão nacional e altos executivos e donos de empreiteiras são envolvidos e acusados com provas de ligação direta com esquemas de corrupção. Neste cenário, o dinheiro da corrupção míngua, Dilma sofre impeachment (sem perder os direitos políticos como foi o caso do Collor) e Michel Temer, o Vice-Presidente assume para terminar o mandato cambaleante.


Novas eleições e em 2.018 o Brasil elege Jair Messias Bolsonaro, ex-oficial do exército brasileiro, que foi deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro por 5 mandatos. Considerado um Deputado do "baixo clero", aqueles de menor importância nas decisões da Câmara, sempre foi visto como aquele que não se alinhava com a velha política. Após um ano e meio de mandato já sofre os desgastes da perda de alguns dos pilares que sustentavam seu governo em meio a uma crise de saúde e econômica deflagradas pela pandemia global do covid-19.


Dois fatores são comuns nas eleições de Collor, FHC, Lula e Bolsonaro: (i) a busca por um Salvador da Pátria, alguém que assuma a presidência da república e dê solução a todos os problemas e mazelas do Brasil; (ii) uma população que quer a salvação mas está disposta a fazer a sua parte. De forma geral o brasileiro não entende que a as decisões políticas passam pelo Congresso Nacional, que quer mudança, mas reelege os mesmos Deputados e Senadores da velha política, muitas vezes esperando obter algum benefício. O brasileiro clama por combate à corrupção, execra os condenados por esse crime e aplaude aqueles que lutam contra isso, mas ao mesmo tempo está sempre à procura de oportunidade de "ser esperto". É comum ver casos de pessoas que estão cadastradas nos programas sociais como Bolsa Família, distribuição de cestas básicas e auxílio no caso da pandemia, sem ter direito aos mesmos. Parece-me que elas não entendem que ao fazer isso estão lesando o Brasil ao fazer isso. Lesam outros brasileiros que poderiam receber este auxílio, o Estado que está gastando mais do que deveria / poderia, e a si mesmas pois é o dinheiro dos impostos que todos pagamos que financia isso tudo. E ao reeleger as velhas raposas da política, sim porque eles não estariam lá se ninguém votasse naqueles que participam de esquemas de corrupção e outros crimes, mantêm o status quo.


Disso tudo uma grande lição: se queremos um país melhor, se queremos mudança, ela tem que começar por nós mesmos e por nossas famílias. Não podemos reclamar do político que desvia milhões se achamos "normal" quando o filho(a) fica com a caneta do colega ou com a bola do amigo. Se queremos um governo decente devemos primeiro manter nossas famílias de forma decente, respeitando os mais velhos, cuidando e educando nossas crianças. Devemos apoiar a iniciativa do caso do cidadão que usou metade do auxílio Covid 19 para iniciar uma criação de frangos e fazer desse exemplo a regra, e não mais a exceção. Sendo assim, não acredito em salvadores da pátria, mas em mudança gradual e no processo de educação das pessoas. Infelizmente esse processo é lento em qualquer lugar, mas no Brasil os passos nessa direção são ainda menores, isso quando não andamos para trás.


De qualquer forma devemos respeitar o esse tempo e fazer sempre a nossa parte pois a democracia assim o exige, afinal a outra opção sempre será muito pior.

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