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O Agro é POP: o que fazer com isso?

03/06/2020 - Por camilo vidal semedo
Atenção: Os textos e artigos reproduzidos nesta seção são de responsabilidade dos autores. O conteúdo publicado não reflete, necessariamente, a opinião da ADEALQ.

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Nos últimos 35 anos acompanhamos uma revolução impressionante nas cadeias produtivas do agro brasileiro, tanto da porteira para dentro através de grandes evoluções tecnológicas nos sistemas de produção desenvolvidas pelos produtores , instituições públicas e empresas privadas , quanto da porteira para fora através do processamento, industrialização e distribuição  , fazendo com que cheguem as famílias do Brasil e de todo mundo cada vez mais quantidade, qualidade, variedade, praticidade e diferenciação em alimentos. Alguns vivenciam esta transformação de perto como profissionais do setor e outros o fazem através dos meios de comunicação e especialmente da maneira mais tangível possível: como consumidores através das gôndolas dos supermercados e principalmente das mesas de suas casas. Todos os dias.

    Esta impressionante transformação trouxe o setor para uma visibilidade jamais vista anteriormente que está sendo ainda mais evidenciada nos últimos meses pelos efeitos do isolamento social resultante da pandemia de Covid-19. Poucas vezes nos tempos recentes o valor e importância da produção e abastecimento constante de alimentos ficou tão claro para todos. Sim: o AGRO realmente é POP e deixou para trás décadas, e por que não séculos, em que foi considerado atrasado e retrógrado. Mas o que fazer com toda esta visibilidade e importância evidenciadas nos tempos atuais?

    No momento o que parece ser importante privilegiar é o foco estratégico de médio/longo prazo e a energia para continuar a mudança. Grandes transformações já anteriormente em curso ou novas tendências poderão ser abruptamente aceleradas ou interrompidas pela pandemia e a velocidade da tecnologia, alterando significativamente os cenários. Antigas dominâncias econômicas e agrícolas estão sendo colocadas a prova pelo xadrez geopolítico e por medidas protecionistas, prejudicando ou beneficiando os diferentes países por vezes de maneira pouco previsíveis. O cenário tem mudado cada vez mais rapidamente. Nossos gargalos e desafios setoriais ainda são enormes: política externa e acordos comerciais mais eficazes ao setor; aumento do valor agregado dos produtos agrícolas ; gargalos de logística; mais uso do seguro agrícola; necessidade de diferentes possibilidades para o financiamento ; melhorias na sanidade animal; digitalização e conectividade no campo; sustentabilidade e redução do desmatamento ilegal; sucateamento de importantes instituições de pesquisa; gestão da imagem e da comunicação institucionais; melhorias no uso e distribuição da terra; modernização de legislações setoriais, etc... Enfim: uma lista extensa e relativamente conhecida sobre a qual necessitamos nos debruçar.

    O justo orgulho e certo ufanismo de hoje com o setor, se mal canalizados, podem representar um efeito paralisante perverso e perigoso em um futuro não muito distante. É tempo de reunir de maneira ativa os agentes dos setores privado e público e juntar as forças para o desenvolvimento e implementação, com energia, de planos estratégicos estruturados para novas e importantes transformações para o agro. O momento é de ação, não de comemoração.

Coragem e mãos à obra!

 

Camilo Semedo

Eng. Agrônomo – Líder de Negócios da CCAB – Companhia das Cooperativas Agrícolas do Brasil

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